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Noticias del día23 de julio de 2012
Estudo português visa encontrar uma forma de inibir a formação de machos em piscicultura

Brasil: Um grupo de investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), Universidade do Algarve (UAlg), pretende equilibrar artificialmente a relação entre os sexos dos robalos para inibir a formação de machos que é bastante superior ao das fêmeas. A ideia é otimizar o sistema de produção desta espécie a nível europeu e mundial.
Nos últimos 15 anos, os sistemas de produção de robalos só conseguem produzir machos. Em vez de ser como na Natureza em que os sexos estão minimamente equilibrados entre machos e fêmeas, o que acontece é que cerca de 90 a 95 por cento da produção são machos.
O problema de só se produzirem machos é que estes entram em maturidade sexual muito mais cedo do que as fêmeas e em vez de usarem a energia dos alimentos para crescerem muito, dirigem a energia para a reprodução. Ou seja, a qualidade do produto do pescado para o consumidor não é tão bom como se fossem maioritariamente fêmeas ou pelo menos os sexos estivessem balançados. Por outro lado, em termos econômicos, a fêmeas redem muito mais dinheiro do que os machos porque normalmente são maiores.
“A produção do robalo deveria ser feita entre os 13 e os 15 graus mas, na realidade, é feita entre os 18 e os 20 e esta temperatura é masculinizante”, explica Rute Martins ao Ciência Hoje. Segundo a investigadora da UAlg, os custos de refrigerar uma aquacultura com milhares de larvas é “simplesmente impossível”, daí que o objectivo do CCMAR, em conjunto com uma série de grupos de investigação europeus, seja identificar quais os fatores que estão a ser alterados pela temperatura de forma a poder inverter este problema.
“Temos de conseguir saber o que é que está afetando, que é no que temos trabalhado nos últimos 13 anos. E mais concretamente neste projeto, conseguimos identificar que genes estão a ser influenciados pela temperatura”, afirma Rute Martins.
Assim, o que falta agora é “acabar a demonstração que descendo a temperatura conseguimos balançar os sexos outra vez, de forma a não termos 90 ou 95 por cento de machos”, explica.
As experiências para esta investigação iniciaram-se com robalos para os investigadores terem o material biológico da própria espécie e poderem identificar os genes que estavam envolvidos no problema. A partir do momento em que estes genes foram identificados os cientistas mudaram de modelo animal, começaram a trabalhar com o peixe-zebra.
Para perceber se a população foi masculinizada ou não é necessário olhar para os peixes e conseguir distinguir um macho de uma fêmea. E o robalo não tem essa possibilidade, tem diferença de tamanhos, mas não é possível assegurar com toda certeza se é macho ou fêmea, para isso é preciso sacrificá-los. Então, utilizando um peixe que visualmente permite ser distinguido enquanto macho ou fêmea, os cientistas viram o seu trabalho facilitado.
Outro fator importante de se trabalhar com o peixe-zebra, é que os investigadores podem colocar dentro desta espécie, através de microinjecção, o gene candidato do robalo que querem estudar e verificar até que ponto a sua inserção dentro do ovo fertilizado irá ter um efeito a nível de relação de macho para fêmea nesse peixe. Se for masculinizante, os cientistas vão detectá-lo e conseguem uma validação experimental sobre a suspeita de que o gene que dizem ser o indutor dessa masculinização.
“Sabemos que é a temperatura que modifica a produção dos robalos nos primeiros 60 dias e que nestes 60 dias de refrigeração o custo associado é brutal. No entanto, se conseguirmos validar que o nosso gene de interesse é o gene masculinizante e que está a ser afetado pela temperatura, conseguimos saber através do estudo deste gene exatamente em que dias de desenvolvimento é sensível à temperatura”, sustenta Rute Martins.
Com isto, os cientistas poderão reduzir a janela de sensibilidade à temperatura ao ponto de dizer que, por exemplo, na primeira semana de vida estes peixes não podem passar de determinada temperatura.
A investigação inserida no projeto europeu intitulado ‘Lifecycle’ conta com o término em Junho do próximo ano. “Estamos confiantes que aí teremos uma resposta acerca deste assunto”, garante a bióloga marinha.
Foto: Cienciahoje
Fonte: Ipesque.com.br